Robert Greene

A parte mais útil da Lei 26 não é o expediente. É o diagnóstico do pedido de desculpas.

As 48 Leis do Poder · Lei 26

Ao se desculpar, você abre a porta para todos os tipos de dúvida sobre a sua competência, suas intenções, sobre outros erros que você talvez não tenha confessado.

  • Lição — A desculpa não fecha o assunto; ela convida à auditoria.
  • Impacto — Explica por que o pedido de perdão longo constrange todo mundo e resolve menos que a correção silenciosa.

As 48 Leis do Poder · Lei 26

Loucura não é cometer loucuras, e sim não conseguir escondê-las. […] A reputação depende mais do que se esconde do que daquilo que se mostra.

  • Lição — Gracián, citado por Greene: o critério não é a ausência de erro, é o manejo dele.
  • Impacto — É o ponto em que esta nota encosta em Reputação e onde a leitura moral do livro fica mais desconfortável.

A pata do gato

A segunda metade da lei é o expediente de fazer outro executar o que suja as mãos, quase sempre alguém de fora do círculo imediato que não percebe estar sendo usado.

As 48 Leis do Poder · Lei 26

Faça você mesmo tudo que for agradável, para o que for desagradável você usa os outros. Com o primeiro procedimento você sai favorecido, com o segundo você desvia a má vontade.

  • Lição — A regra de Gracián que Greene adota inteira: a punição nunca deve ter o seu rosto.
  • Impacto — É a lei onde a distância entre descrever o jogo e recomendá-lo fica mais fina. Vale mais como detector: quando alguém sempre traz a boa notícia e nunca a má, a má está sendo entregue por outro.

O inverso

Catarina de Medici mandou matar Coligny por mão alheia para que os huguenotes culpassem os Guise. O tiro falhou, a manobra apareceu, e o resultado foi a Noite de São Bartolomeu. Quando a cortina se levanta, a mão do manipulador passa a ser vista em tudo — inclusive no que ele não fez. Ver Responsabilidade e Direito.


Fontes

As citações acima vêm de: