Capítulo 34 de As 48 Leis do Poder
O que você mostra
O jeito como você se porta determina como você é tratado. Parecer comum, a longo prazo, faz as pessoas te tratarem como tal.
A ideia
Greene monta o capítulo em cima de dois exemplos opostos.
O primeiro é Luís Filipe, o rei burguês da França, que dissolveu de propósito a aura de realeza: chapéu comum, guarda-chuva na mão, comportamento de cidadão qualquer. Ele estava certo sobre o mundo — a era dos reis estava acabando — e profundamente errado sobre poder. O chapéu e o guarda-chuva divertiram os franceses no começo e depois irritaram, porque todo mundo sabia que ele não era igual a ninguém ali: as diferenças de riqueza nunca tinham sido tão grandes. A encenação de igualdade foi lida como o que era.
O segundo é Colombo, e é o mais útil. Como navegador ele era medíocre: sabia menos do mar que os marinheiros dele, nunca conseguiu determinar direito a posição das próprias descobertas, confundiu ilhas com continentes. Em uma coisa era genial — sabia se vender. O filho de um vendedor de queijos circulava entre as famílias reais da Europa, e o que ele projetava não era a autopromoção agressiva de quem está subindo. Era uma segurança calma, do tipo que a nobreza reconhecia como própria: gente que não sente necessidade de se provar, porque parte do princípio de que merece — e pede.
A frase que vale guardar
As 48 Leis do Poder · Lei 34
Cada um deveria ser régio ao seu próprio modo. Que todas as suas ações, mesmo não sendo as de um rei, sejam, na sua própria esfera, dignas de um.
Gracián. As três palavras que salvam a lei do ridículo são na sua própria esfera. Não é para se comportar como rei entre pessoas comuns. É para tratar o que você faz — mesmo pequeno, mesmo no começo — como uma coisa que merece ser levada a sério, começando por você.
No dia a dia
O lugar onde isso aparece mais rápido é a linguagem em volta do próprio trabalho.
Preste atenção nos amortecedores: “é só uma ideia”, “desculpa incomodar”, “não sei se faz sentido, mas”, “eu cobraria uns… sei lá, uns dois mil?”. Cada um deles é um desconto aplicado antes de qualquer negociação. Ninguém pediu, e a outra pessoa apenas aceita a avaliação que você já fez de si.
O ajuste é pequeno e nada agressivo — é o Colombo, não o Luís Filipe ao contrário. Diga o preço como quem informa um fato. Mande a proposta sem pedir desculpa por ela existir. Apresente a ideia como ideia, não como rascunho de ideia. Você não ficou arrogante: você parou de anunciar que vale menos.
Vale também para prazo e escopo. Quem começa dizendo “eu faço o que der” recebe o que der — e a conversa sobre o que era razoável nunca chega a acontecer.
Quando não vale
O aviso é o mesmo que a lei carrega no nome. É confiança, não arrogância nem desprezo — e nunca se sobe humilhando alguém.
O exemplo do que dá errado é Carlos I na Inglaterra dos anos 1640. Diante de uma revolta contra a própria instituição da monarquia, ele reagiu ficando mais régio, indignado com o ataque ao direito divino. Se tivesse lido a época e cedido alguma coisa, a história seria outra. A rigidez ofendeu, alimentou a revolta, e ele acabou perdendo a cabeça — literalmente.
E há o limite de altura: pairar acima demais da multidão faz de você um alvo fácil de acertar.