Capítulo 7 de As 48 Leis do Poder

Diante de quem manda

Use o conhecimento e o esforço dos outros em causa própria. Além de poupar tempo, isso lhe dá uma aura de eficiência. No fim, os ajudantes são esquecidos e você é lembrado.

A ideia

Duas lições saem da mesma história — a de Nikola Tesla, que achava que ciência não tinha nada a ver com política e morreu sem investidores.

Primeira: o crédito vale tanto quanto a criação, às vezes mais. Tesla inventou muito e não ficou associado a nada. Sem nome ligado a uma descoberta, não conseguia financiar as seguintes, enquanto outros patenteavam o que ele já tinha feito.

Segunda: existe uma versão limpa desta lei, e é a que vale a pena. Newton chamou de subir nos ombros de gigantes. Shakespeare pegou enredos e diálogos de Plutarco. O conhecimento acumulado está disponível, ninguém vem cobrar originalidade, e usá-lo economiza a vida inteira que você gastaria aprendendo por conta própria.

A frase que vale guardar

As 48 Leis do Poder · Lei 7

Os tolos dizem que aprendem pela experiência. Eu prefiro aproveitar a experiência dos outros.

Bismarck, citado por Greene. É a defesa mais econômica que existe contra o orgulho de fazer tudo do zero. Aprender pela própria experiência custa anos e cicatrizes; aprender pela dos outros custa a humildade de admitir que alguém já resolveu isso.

No dia a dia

Você recebeu uma tarefa que nunca fez — montar um processo, escrever uma proposta, organizar um evento.

O instinto é começar do zero, porque parece mais honesto. Quase sempre é só mais lento. Alguém na sua empresa já fez algo parecido; alguém na internet publicou o modelo; alguém no seu setor documentou os erros. Uma hora procurando o que já existe economiza uma semana inventando.

O outro lado da lei também merece atenção, e é desconfortável: se você fez, apareça. Enviar o trabalho sem que fique claro de quem foi é como o Tesla em escala pequena. Não precisa ser alarde — basta o seu nome no arquivo, o resumo mandado por você, a apresentação feita por você.

Quando não vale

Ficar com o crédito exige posição sólida. Sem ela, você parece estar empurrando os outros para fora do holofote, e vira acusação de fraude.

E há um cálculo mais fino, que Kissinger fez bem: ele ficou com o crédito do que vinha de baixo e entregou a Nixon o crédito do próprio esforço. Sabia que a verdade apareceria depois, e que arriscar a posição no curto prazo não valia a pena. Ver Reputação.