Robert Greene

Palavra de Castiglione, no O Livro do Cortesão de 1528, que Greene resgata como lei do poder: a capacidade de esconder o trabalho por trás do resultado.

As 48 Leis do Poder · Lei 30

Pratique em tudo um certo descaso que dissimula o talento artístico e torna o que se diz e o que se faz aparentemente natural e fácil.

  • Lição — A graça não é ausência de esforço, é ocultação do esforço.
  • Impacto — Separa duas coisas que a gente confunde: ser competente e parecer competente.

As 48 Leis do Poder · Lei 30

Esforçar-se no que está fazendo e não fazer mistério disso revela uma extrema falta de graça e faz com que tudo, não importa o seu valor, tenha um desconto.

  • Lição — Contar quanto custou não aumenta o valor do que você entregou. Diminui.
  • Impacto — Vai contra o instinto de pedir reconhecimento pelas horas gastas. O reconhecimento vem do resultado, não do relato do processo. Ver Processo e Resultado.

Por que funciona

As 48 Leis do Poder · Lei 30

O que é compreensível não inspira respeito — achamos que poderíamos fazer igual se também tivéssemos tempo e dinheiro.

  • Lição — Revelar o mecanismo transfere o feito da categoria “talento” para a categoria “qualquer um faria”.
  • Impacto — Explica por que Michelangelo proibia até os papas de verem obra em andamento, e por que o artista renascentista fechava a porta do ateliê.

As 48 Leis do Poder · Lei 30

Como você consegue as coisas com graça e facilidade, as pessoas acham sempre que, esforçando-se, você poderia fazer mais.

  • Lição — O efeito colateral é uma reserva de poder: ninguém sabe onde está o seu limite.
  • Impacto — Liga direto a Reputação — a suposição sobre o seu tamanho vale mais que a medida exata dele.

O inverso

Há público para quem o truque é a atração. P. T. Barnum publicou as próprias mistificações em autobiografia e ganhou com isso. A ressalva de Greene é que a revelação tem de ser planejada — não pode nascer da vontade incontrolável de contar o quanto se batalhou.


Fontes

As citações acima vêm de: